terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

“Foi a mim que não o fizestes!” (Mt 25, 31 – 46)

A afirmação de Jesus é forte e reveladora, pois na omissão, deixamos de atender ao seu chamado e nos tornamos ainda mais pecadores, pois, se o mau é a ausência do bem e tendo a oportunidade, não o fazemos, somos coniventes e aceitamos que o mal prevaleceça.

Neste período quaresmal, ao exercitar a reflexão proposta no roteiro do Retiro Quaresmal dos amigos Jesuítas, na procura por resposta da indagação “dos rostos de Jesus” que encontramos todos os dias e deixamos de ajudá-lo, vejo jovens com fome de justiça, com sede de amor, mas presos a valores de uma sociedade baseada no consumo e no individualismo, ainda nesta busca, me vêem ainda muitos dos rostos dos amigos da casa de apoio Grupo da Amizade, amigos cuja a liberdade foi perdida, seja pela limitação física ou seja pelo vício, muitos tornaram-se por ora presos, não de forma compulsória, mas de modo a não conseguir discernir suas ações entre o bem ou o mal, entre o que lhe causa euforia e o que lhe causa dor, o que lhe dá prazer e o que lhe flagela ainda mais, estas e muitas outras fragilidades à que estamos sujeitos, só tem espaço na nossa vida quando deixamos de manter Emanuel (o Deus conosco), pois quando tentados, assim como Ele foi no deserto, também nós teríamos a força e a certeza de dizer “NÃO” ao que momentaneamente nos parece mais fácil.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lágrimas de Destempero e Irracionalidade?

Olá amigos,

Neste ano de 2012, particularmente vivi muitas experiências marcantes, dentre elas uma em especial foi a evolução de meu time do coração cuja reflexão abaixo fui motivado a resgistrar.

Após atingir o ápice, conquistando as competições mais importantes do ano (Copa Libertadores da América e Campeonato Mundial de Clubes da FIFA) o torcedor corinthiano espalhado por todo o Brasil e pelo Mundo é influenciado por duas forças de nossa realidade atual, a “emoção” e o “capital”.

É evidente a exploração do capital em tudo aquilo que nos causa emoção, utilizando-se dessas frentes, fortes mecanismos de incentivo ao consumo e, por conseguinte a manutenção da cultura de produção, exploração e menor custo a qualquer custo. Talvez por toda a exposição midiática do “Time do Povo” (tão bem denominada pelo saudoso Dr. Sócrates) e pela exaltação do “produto” Corinthians (aquele que vende camisas, vende bandeiras e tudo mais que possamos imaginar), muitos interpretem como destempero e irracionalidade as manifestações da torcida diante de conquistas importantes no mundo do futebol, mas que por outro lado, não interferem (ou não deveriam interferir) em nada em nossas vidas. Nessa perspectiva, emergem os valores embutidos na escolha (no caso corinthiano não se trata de escolha, mas enfim...) de um time do coração, aquele cuja nossa vida é refletida (ou ao menos ensaiada) como que numa peça teatral, onde ora nos deparamos com frustrações, decepções, derrotas e outrora gozamos de alegrias, orgulhos e vitórias... é assim também o processo de contextualização da identificação com nosso time, sofrendo e sorrindo, como em nossa vida, vamos seguindo, as vezes com temporadas (anos) mais vitoriosos e outros nem tanto.

Além de toda essa carga psicológica subliminar que trazemos de forma involuntária no simples ato de torcer, quando atingido o ápice emocional da conquista, surgem eventualmente e de acordo com o nível de identificação, as lágrimas, cuja manifestação não origina-se do vislumbre em sagrar-se campeão pura e simplesmente, mas numa trajetória, na evolução da nossa vida e das lembranças de momentos tão ricos que nos levaram a desfrutar de tal sentimento.

Em particular me lembro bem de minha avó D. Adélia, gênio forte e de quem pude conhecer as primeiras características do Corinthianismo, numa época onde a exposição pela TV ainda iniciava-se de forma profissional, acompanhávamos muitas vezes (na maioria) os jogos pelo rádio, interpretando, imaginando lances que se costuravam em meio aos 90 minutos de narração eufórica de radialistas que nos queria atentos, e nesse acompanhar dos jogos, suas reações eram para mim os mais sinceros reflexos de humanidade, pois assim o somos quando amamos, “desarmados”, “sem filtro”, “sem máscara”, os palavrões surgem inevitavelmente e por favor, não me pergunte nada que não tenha relação com o jogo, pois a resposta “se vier”, involuntariamente será cética e conclusiva, de forma a voltar as atenções ao momento ali contemplado.

Recordo-me também, do saudoso tio Henrique, figura inteligente, carinhoso, exemplo de pai, marido, funcionário, avô e claro de tio, e que mesmo com características tão serenas e sensatas na convivência do cotidiano, ao início de uma partida do Timão, lá estava ele, “desarmado”, “sem filtro”, como a nossa própria torcida nos descreve, “louco”...

Essas são apenas 2 lembranças das mais de 1.847 que passaram pela salada de emoções experimentada na comemoração do tão aguardado título de Bi-Campeão Mundial de Clubes pelo Corinthians, que sim, realmente não mudará nada na prática em minha vida, mas em contra-partida, já mudou tudo dentro de mim.

Ainda neste contexto, me questiono, “onde está o destempero e a irracionalidade em torcer?”, pois, se torcendo recordamos a vida e aquilo que de melhor absorvemos dela diante de nossa história e da perspectiva do que ainda queremos viver, concluo que se “recordar é viver”, torcer também o é.

A todos um Natal abençoado e em Família, para que os valores dela transmitidos, fortaleçam a união e a confiança no Cristo que virá!

Saudações Corinthianas!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ficha Limpa - Mania Suja

É no mínimo lamentável a cena que nos deparamos pelas ruas das cidades em todo o Brasil no último domingo, afinal, justamente no dia em que nos é proposto o ápice do exercício da cidadania, nos deparamos com ruas sujas, bueiros entupidos de “santinhos” (não sei porque é chamado popularmente assim, pois de santo, não tem nada), senhoras andando com cautela sobre o mar de papel com receio de escorregar e depender do serviço de saúde que tanto prometem melhorar. No pequeno trajeto, num espaço de 100 metros aproximadamente, enquanto caminhava até a “zona eleitoral” (outra coincidência nominal sugestiva), foi possível identificar pelo menos umas 12 pessoas fazendo “boca de urna” e tudo de forma descarada, andando mais um pouco (devagar para não escorregar), uma equipe de reportagem da TV local entrevistava eleitores e valorizava o “processo democrático” a que participamos. O processo eleitoral brasileiro com a urna eletrônica tão valorizado internamente, principalmente pela Rede Globo, estranhamente não é reconhecido fora do país. Ora pois, será que a urna não é tão confiável assim? No artigo de 21/09/2012 do jornalista Washington Novaes do “O Estado de São Paulo” são apontados países como Alemanha, México, Argentina, Peru, entre outros que a recusaram por identificar fragilidade no mecanismo tecnológico a serviço da democracia. É preciso rigor na fiscalização técnica do processo eleitoral brasileiro, pois se foi identificada a violação do painel eletrônico do senado em 2001, para favorecer a cassação de um adversário político (no caso Luiz Estevão), quiçá para a conquista de cargos públicos da relevância dos que elegemos. Fiquemos atentos,