quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Lágrimas de Destempero e Irracionalidade?

Olá amigos,

Neste ano de 2012, particularmente vivi muitas experiências marcantes, dentre elas uma em especial foi a evolução de meu time do coração cuja reflexão abaixo fui motivado a resgistrar.

Após atingir o ápice, conquistando as competições mais importantes do ano (Copa Libertadores da América e Campeonato Mundial de Clubes da FIFA) o torcedor corinthiano espalhado por todo o Brasil e pelo Mundo é influenciado por duas forças de nossa realidade atual, a “emoção” e o “capital”.

É evidente a exploração do capital em tudo aquilo que nos causa emoção, utilizando-se dessas frentes, fortes mecanismos de incentivo ao consumo e, por conseguinte a manutenção da cultura de produção, exploração e menor custo a qualquer custo. Talvez por toda a exposição midiática do “Time do Povo” (tão bem denominada pelo saudoso Dr. Sócrates) e pela exaltação do “produto” Corinthians (aquele que vende camisas, vende bandeiras e tudo mais que possamos imaginar), muitos interpretem como destempero e irracionalidade as manifestações da torcida diante de conquistas importantes no mundo do futebol, mas que por outro lado, não interferem (ou não deveriam interferir) em nada em nossas vidas. Nessa perspectiva, emergem os valores embutidos na escolha (no caso corinthiano não se trata de escolha, mas enfim...) de um time do coração, aquele cuja nossa vida é refletida (ou ao menos ensaiada) como que numa peça teatral, onde ora nos deparamos com frustrações, decepções, derrotas e outrora gozamos de alegrias, orgulhos e vitórias... é assim também o processo de contextualização da identificação com nosso time, sofrendo e sorrindo, como em nossa vida, vamos seguindo, as vezes com temporadas (anos) mais vitoriosos e outros nem tanto.

Além de toda essa carga psicológica subliminar que trazemos de forma involuntária no simples ato de torcer, quando atingido o ápice emocional da conquista, surgem eventualmente e de acordo com o nível de identificação, as lágrimas, cuja manifestação não origina-se do vislumbre em sagrar-se campeão pura e simplesmente, mas numa trajetória, na evolução da nossa vida e das lembranças de momentos tão ricos que nos levaram a desfrutar de tal sentimento.

Em particular me lembro bem de minha avó D. Adélia, gênio forte e de quem pude conhecer as primeiras características do Corinthianismo, numa época onde a exposição pela TV ainda iniciava-se de forma profissional, acompanhávamos muitas vezes (na maioria) os jogos pelo rádio, interpretando, imaginando lances que se costuravam em meio aos 90 minutos de narração eufórica de radialistas que nos queria atentos, e nesse acompanhar dos jogos, suas reações eram para mim os mais sinceros reflexos de humanidade, pois assim o somos quando amamos, “desarmados”, “sem filtro”, “sem máscara”, os palavrões surgem inevitavelmente e por favor, não me pergunte nada que não tenha relação com o jogo, pois a resposta “se vier”, involuntariamente será cética e conclusiva, de forma a voltar as atenções ao momento ali contemplado.

Recordo-me também, do saudoso tio Henrique, figura inteligente, carinhoso, exemplo de pai, marido, funcionário, avô e claro de tio, e que mesmo com características tão serenas e sensatas na convivência do cotidiano, ao início de uma partida do Timão, lá estava ele, “desarmado”, “sem filtro”, como a nossa própria torcida nos descreve, “louco”...

Essas são apenas 2 lembranças das mais de 1.847 que passaram pela salada de emoções experimentada na comemoração do tão aguardado título de Bi-Campeão Mundial de Clubes pelo Corinthians, que sim, realmente não mudará nada na prática em minha vida, mas em contra-partida, já mudou tudo dentro de mim.

Ainda neste contexto, me questiono, “onde está o destempero e a irracionalidade em torcer?”, pois, se torcendo recordamos a vida e aquilo que de melhor absorvemos dela diante de nossa história e da perspectiva do que ainda queremos viver, concluo que se “recordar é viver”, torcer também o é.

A todos um Natal abençoado e em Família, para que os valores dela transmitidos, fortaleçam a união e a confiança no Cristo que virá!

Saudações Corinthianas!

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